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SC: Polícia apura violência contra mãe e bebê que nasceu morto em vaso sanitário

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A DPCAMI (Delegacia de Proteção a Criança, Adolescente Mulher e Idoso) vai investigar se houve negligência ou violência obstétrica por parte do Hospital Ruth Cardoso, de Balneário Camboriú, no atendimento de Fernanda Ademek, de 19 anos, que teve o filho no vaso sanitário e foi orientada pela enfermeira a dar descarga.

A responsável pelo caso é a delegada Inara Marques, que assumiu o processo após a formalização da denúncia por parte de Fernanda. Ela descobriu que o bebê havia morrido ainda na barriga na última sexta-feira (3) em Bombinhas, onde mora com a família e em seguida foi encaminhada a Balneário Camboriú.

Fernanda estava grávida de 22 semanas e teve a confirmação que o bebê estava morto no hospital Ruth Cardoso. “Chegando lá demoraram 1 hora pra me atender e depois de 2 horas fiz a ultrassom que confirmou a morte fetal. Fui internada e começou o inferno na minha vida. Além de estar em choque por estar com um filho morto, fui mal tratada pelo hospital”, conta.

A jovem relata que tomou alguns remédios para induzir o parto, no dia seguinte, já no sábado (4), Fernanda começou a sentir fortes dores. “A dor estava fora do normal e por volta do meio uma enfermeira veio e fez exame de toque e disse que não era nada, não era o bebê saindo”, disse.

Fernanda conta que então foi ao banheiro e acabou ganhando o bebê ali, que acabou caindo no vaso sanitário. “Por culpa dela, que falou que eu não estava em trabalho de parto, fui no banheiro e meu filho caiu dentro do vaso sanitário. Entrei em desespero, meu marido também, não sabíamos o que fazer, ele começou a gritar e chamar alguém”, relembra.

A jovem completa: “a enfermeira voltou, me levantou e disse nas exatas palavras ‘da descarga pai , da descarga’ meu marido sem entender e em choque com tudo eu chorando desesperada, ele fez oque ela mandou”.

Ainda de acordo com Fernanda, só após orientar o marido da jovem a dar descarga é que a enfermeira buscou orientação médica, sem assumir que deu esta orientação ao pai da criança.

“Ela saiu a procura do médico e eu ouvi ela falando ‘o pai deu descarga’, o médico entrou no quarto, não me olhou nem se estava bem, apenas foi até o banheiro e gritou ‘tratem de achar essa criança, pois isso é ocultação de cadáver ‘. Logo depois começou a discussão pois meu marido contou que foi ela quem mandou, em quanto isso ela já tinha culpado mais outras duas enfermeiras pelo que tinha acontecido”, relembra.

Foi necessário quebrar a estrutura do vaso sanitário para achar o bebê de Fernanda. “Quebraram o vaso pois meu filho estava preso, por pouco ele não vai pra fossa, ele estava dentro da placenta então era muito grande pra passar, vimos ele”, relembra

Hospital nega orientação de dar descarga no bebê

O hospital, no entanto, alegou que a orientação foi para não dar a descarga, e que o médico foi chamado para retirar o feto, pois a placenta obrigatoriamente tem que ser encaminhada para exame patológico.

Fernanda alega que pediu para levar o bebê e enterrar o filho, mas diz não teve nenhum retorno. “Não me falaram as medidas dele nem nada, pedi para trazer meu bebê porque iria enterrar, mas não deixaram eu trazer.  Perguntei pra onde ia, mas não falaram, ele era grande lindo todo perfeito, com toda certeza eu poderia trazer e enterrar meu filho”.

O hospital alega que “a paciente recebeu todo o suporte da equipe multidisciplinar, além da enfermagem, psicologia e serviço social, bem como orientação dos procedimentos a serem adotados com relação ao feto e legislação em vigor”.

Ainda afirma que não houve manifestação dos familiares dentro das 24 horas no desejo de retirada do feto, e que, por isso, “foi dada a destinação conforme normas do Ministério da Saúde e ANVISA para esses casos especificamente”.

POR: GRAZIELLE GUIMARÃES/ND+