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SC: Empregados da Celesc refutam tese do presidente da EDP Brasil sobre privatização

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Representante dos empregados no Conselho de Administração, Leandro Nunes da Silva envia e-mail refutando a manifestação do presidente da EDP Brasil, João Marques da Cruz de que “a privatização da Celesc é essencial para Santa Catarina”.

Reforçando a nota da Intercel, o conselheiro aponta dados oficiais para defender a Celesc pública, como qualidade do atendimento aos usuários e baixa tarifa.

O contraponto diz, em resumo:

“Os números da Celesc Distribuição demonstram claramente que a investida do sócio minoritário EDP Brasil à privatização da empresa certamente seria muito bom para a empresa de controle Português/Chinês, mas não seria nada positivo à sociedade catarinense.

Diferente do que lhe foi informado, a EDP Brasil, tanto no Espírito Santo quanto em São Paulo, investe praticamente os mesmos montantes proporcionais aos valores mínimos regulatórios impostos pela Aneel. Em recente pesquisa de benchmarking realizada no setor, tanto a Celesc quanto as empresas da EDP investiram em 2020 o dobro do valor mínimo regulatório.

Acontece que a Celesc o fez de maneira mais assertiva e mais qualificada, porque conta com um corpo técnico concursado extremamente capacitado em seu quadro funcional. Isso não é impressão, mas a tradução da opinião dos clientes consumidores e do valor pago em tarifa pela sociedade.

No último prêmio ANEEL de qualidade, a Celesc foi eleita a melhor distribuidora de energia elétrica do país na avaliação de seus clientes, enquanto a EDP ficou em 9° e 11° lugar com suas distribuidoras. Ato contínuo, a Celes possui a segunda menor tarifa do país para o cliente residencial, em patamares bem inferiores aos praticados pela EDP em suas distribuidoras.

Também não podemos esquecer que a Celesc acessou recentemente um financiamento bilionário junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID para a concretização dos investimentos necessários em suas redes de distribuição, e que a privatização da empresa obrigaria a quitação antecipada desses montantes ou a recontratação em valores análogos a mercado, o que inviabilizaria o argumento de investimentos “extraordinários” por parte da EDP logo após uma possível privatização.

Em resumo, entendo que o assédio da EDP Brasil para tomar o controle acionário da CELESC só reforça o fato da estatal catarinense ser uma empresa forte técnica e economicamente, com indicadores dentro dos patamares impostos pela Agência Reguladora e, desta forma, acaba sendo um ótimo “investimento” à maximização de lucros para qualquer acionista privado.

Santa Catarina não precisa de um novo controlador à Celesc, que venha utilizar uma estrutura construída e mantida por mais de 65 anos com o suor e o trabalho dos catarinenses para aumentar seus ganhos econômicos e auferir vantagens financeiras sobre a prestação de um serviço público e fundamental à sociedade e o desenvolvimento do Estado.

Santa Catarina precisa que a CELESC continue sendo pública, eficiente na prestação dos seus serviços em estrito cumprimento ao caráter social da sua fundação.”

 

Informações/ Moacir Pereira/ND+

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