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SC: Cultivar de cebola desenvolvida pela Epagri é uma das mais plantadas

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Na região do Alto Vale, a agricultura é uma das maiores fontes de renda para boa parte dos moradores. Para fazer com que a produção melhore a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), desenvolve variedades que se adaptam às necessidades da região há anos. Em Ituporanga, os pesquisadores da Epagri desenvolveram a cultivar Valessul que corresponde a mais de 50% da cebola plantada em Santa Catarina e uma das mais utilizadas no Sul do Brasil.

De acordo com o gerente da Estação Experimental e pesquisador de Ituporanga, Daniel Pedrosa Alves, apesar de a região produzir diversas culturas, todos os pesquisadores dedicam grande parte do tempo à cultura da cebola por ser uma das mais relevantes, considerando o quesito socioeconômico. Ele comenta que todo o trabalho é pensado para auxiliar o produtor a obter melhores resultados na produção e que para isso é necessário empenho e dedicação.

“A gente sempre tem diversos pontos a serem analisados quando se pensa em desenvolver um novo cultivar, mas, sobretudo, o cultivar precisa cair nas graças dos agricultores, ou seja, ele precisa ser melhor do que o que tem disponível no mercado seja nosso ou dos concorrentes. Todos os anos a gente faz diversas hibridações, variedades, cebolas de características distintas que sejam complementares e que tenham boas características que se complementem e cruzando esses materiais analisamos a geração filial a campo, características de planta, número de folhas, sobretudo a produtividade por hectare e a qualidade do material durante a colheita e no pós-colheita, que é o que interessa ao cebolicultor”, explica.

Desde 1984, a Epagri, empresa do Governo se dedica à pesquisa e extensão rural na capital da cebola. De lá para cá, ela vem desenvolvendo cultivares adaptados para a região, que é uma das que mais produzem no país. “Todos os cultivares de cebola plantados no Sul do país foram desenvolvidos pela Epagri. Não tenho dúvida que o sucesso agrícola é devido à força da Epagri aqui. Isso reflete que mesmo tendo condições não propícias para o cultivo de cebola, temos cultivares que são adaptados. A Epagri como já está inserida na região, consegue fazer todo o processo de cruzamento e seleção na região onde a cebola será plantada e isso facilita muito a produção porque conseguimos ver o comportamento da planta onde ela será plantada”, esclarece.

Cultivares

O processo de desenvolvimento de um cultivar é demorado e pode levar vários anos até estar totalmente pronto. O mais recente é o Valessul que passou pela etapa de registro intelectual em 2015 e em 2018 já estava disponível para comercialização.

“Em 2018, esse cultivar Valessul teve um apelo muito grande, produziu bem na safra e teve grande popularidade entre agricultores e comerciantes de cebola. Em 2020 as vendas foram maiores e mais de 50% da cebola plantada em SC é desse cultivar. Ela tem uma durabilidade pós-colheita muito grande e isso significa que o agricultor pode armazenar a cebola sem muitas perdas”, avalia.

Pedrosa ainda explica que outras cultivares já caíram no gosto dos cebolicultores há anos, é o caso da “Bola Precoce” e “Crioula”.

“Na Festa Nacional da Cebola, normalmente tem premiação para as cebolas tipo Bola e tipo Crioula e todo agricultor compreendia que as cebolas tinham que ir para a exposição, só que esses nomes dados a cebola não são nomes de tipos e sim de cultivares desenvolvidos pela Epagri. Se tornaram tão populares e conhecidos pela qualidade e capacidade dos agricultores assimilarem o material, que acabaram se tornando referência. Essa cultivar Bola Precoce foi lançada em 1986 e até três anos atrás era o cultivar mais plantado no Sul do Brasil, que está sendo substituído gradativamente pelo cultivar Valessul”, completa.

 

Informações e reportagem: Rafaela Correa/DAV